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terça-feira, 1 de maio de 2012


CIGARRAS

Elas sempre fascinaram-me. Mas a minha admiração por esses seres cresceu ao conhecer o ciclo de vida.
Após o acasalamento o macho morre e a fêmea, após a postura dos ovos, também. Os ovos eclodem e os insetos jovens (ou ninfas) caem no chão e entram na terra onde vivem de 01 a 17 anos (depende da espécie) se alimentando da seiva de raízes. Isso mesmo: de 01 a 17 anos. Depois desse período elas cavam túneis, sobem nas árvores e sofrem uma metamorfose, a ecdise, se tornando adultas e prontas para o acasalamento.
Já escrevi um conto sobre o tema “Antes que cheguem as cigarras” e um poema “Cristais” – presente no meu livro Beirais – 2007, que publico a seguir:


CRISTAIS

Anunciam com a chegada
O novo ciclo
Parodiando cristais
Tripudiando os moucos ouvidos
De desatentos ouvintes.

Não desafinam
E nem sequer se importam
Com a fama indevida
De boêmias incorrigíveis.

Antes, os criticos desdenham
Com a sinfonia que lança por terra
As intransponíveis muralhas
Dos que simulam indiferença.

E avessas ao silêncio
Cantam as cigarras o fado
Num agradecimento ao Supremo
Pelo muito que lhes é dado.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Borboletas no aquário




              

                           I


Mantinha borboletas

No aquário.

Sentava-se próximo

Com as mãos no rosto

Espalmadas

E tecia um fio de tempo

(Só seu)

A admirar, através da transparência

Das cortinas,

Um balé de cores

Que reverberavam, reverberavam...



                     II


Mantinha borboletas

No aquário

O silêncio a balbuciar-lhe

Regozijos de naufrágios...



Mas, quando as mãos insensíveis

Não pressentiram mais as cores

E a visão turva admitiu

Guelras na fala

Ao fio partido

Gritou

Ah, gritou!


Suspensos ao eco

Todos os mares não desbravados!



                    III

Uma chuva fina e persistente

Lambia os alicerces do passado

Quando fez o que, há tempos, cogitava:


- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo

- Guardou os álbuns de todas as renúncias

Na gaveta do armário

- Fez par com a vida, num beijo inusitado

- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.














Lançamento: Borboletas no aquário

O lançamento do meu novo livro "Borboletas no aquário", acontecerá no dia 02 de setembro, sexta-feira, às 21:00h, no Clube Literário e Recreativo de Sertãozinho, Rua Aprigio de Araújo, 930.
A belíssima capa é criação do grande artista plástico sertanezino Vicente Cornetta.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ELEIÇÃO ASEL

                  Membros da Academia Sertanezina de Letras - ASEL


A Academia Sertanezina de Letras - ASEL, em reunião realizada no dia 06 de julho de 2011, escolheu, através do voto secreto conforme prevê o Estatuto Social, três novos membros efetivos: Marcos Favaretto, Joana D'arc Tobias Vieira e Thiago Antonio Quaranta. Três candidatos não conseguiram a maioria absoluta dos votos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O preço do poema

                       I

Quanto vale o poema:

- nas frentes de batalha

- nas perdas irreparáveis

- na solidão que a alma talha?



Quanto vale o poema:

- aos nossos filhos drogados

- aos órfãos do destino

- aos desenganados?



O poema faz seu preço

ou o preço do poema

pelo tamanho da fome

é estipulado?



Quanto vale o poema:

- nas filas dos hospitais

- nas mutilações dos sonhos

- nas nossas guerras pessoais?



Quanto vale o poema:

- aos idosos desrespeitados

- às minorias esquecidas

- aos amantes desregrados?



O poema faz seu preço

ou deveras

estou enganado?



                      II


Quanto nos cobra o poema:

- por uma sinfonia de metáforas

- por uma visitação à alma

- por um deslumbre de voos?



Ou desapegado da matéria

doa-nos, ele, complacente

as suas inefáveis asas?


O preço do poema, senhores

é o poeta quem paga!











































quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Metáforas do descaso

                                               Cecília Meireles
                                              imagem google



Opressoras palavras

que mal (ditas)

reverberam falácias:

- quanto vale uma corrompida

metáfora?



Opressora desigualdade

estampada nas crônicas

dos viadutos

nos cárceres das calçadas:

- quem acalentará os sonhos

ah, inevitável alvorada!



Opressora discriminação

pelo silencioso véu legalizada:

- mas, noite e dia não são adornos

de um único céu?



“Não sou alegre

nem sou triste...”



E no deserto da indiferença

entre opressores e oprimidos

a poesia, simplesmente,

resiste...


Poema vencedor do Prêmio Literário Ziraldo
10a Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP

in  " Espelhos do tempo" - Mário Massari