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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Metáforas do descaso

                                               Cecília Meireles
                                              imagem google



Opressoras palavras

que mal (ditas)

reverberam falácias:

- quanto vale uma corrompida

metáfora?



Opressora desigualdade

estampada nas crônicas

dos viadutos

nos cárceres das calçadas:

- quem acalentará os sonhos

ah, inevitável alvorada!



Opressora discriminação

pelo silencioso véu legalizada:

- mas, noite e dia não são adornos

de um único céu?



“Não sou alegre

nem sou triste...”



E no deserto da indiferença

entre opressores e oprimidos

a poesia, simplesmente,

resiste...


Poema vencedor do Prêmio Literário Ziraldo
10a Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP

in  " Espelhos do tempo" - Mário Massari
















quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ano novo

Ficou velho o pobre ano

Nem bem firmou seu reinado

Culpa de um relógio louco

Quase sempre acelerado.


E o calendário matreiro

Espadachim bem treinado

Sorri ante tais festejos

De tocaia nos telhados


Dos casarios que não dormem

Das luzes que não se apagam

Das ressacas memoráveis

Dos abraços bem guardados.


Na última badalada

Da noite que agora é meia

Desfere o golpe certeiro:

- Já é velho o que anseias.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Canon divulga ganhadores de Prêmio

Compartilhe esta notícia: A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, anuncia os vencedores do “III Prêmio Literário Canon de Poesia”, realizado em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. Foram escolhidos os 50 melhores textos, que serão reunidos em um livro a ser lançado nos primeiros meses de 2011.

Com tema livre, o concurso, que teve sua abertura na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e aconteceu entre 13 de agosto e 30 de setembro, recebeu mais de 3 mil inscrições.

Os finalistas foram escolhidos por uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário e cada vencedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon nas suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.

“O objetivo desse concurso é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país e a cada ano estamos conseguindo movimentar muitas pessoas e desenvolver neles o interesse cultural”, afirma Jun Otsuka, presidente da empresa no Brasil.

Confira os nomes dos poetas vencedores do III Prêmio Canon de Poesia:

Alam Cristian Arezi – Porto União/SC
Allan Pitz Ribeiro de Souza - Rio de Janeiro/RJ
Almir Guilhermino da Silva - Marechal Deodoro/AL
Altair dos Santos Paim - Salvador/BA
Ana Karina Pereira dos Santos Soares - Recife/PE
Ana Laura Dimas de Freitas Rabelo - Belo Horizonte/MG
Arthur Rodrigues Clemente - São Paulo/SP
Augusto Barros Mendes - Niterói/RJ
Augusto de Oliveira Junior - Macapá/AP
Benedito Cirilo dos Santos Filho - S. G. do Sapucaí/MG
Bruna Souza de Oliveira - Novo Hamburgo/RS
Carlos Eduardo Marcos Bonfá - Socorro/SP
Carlos Oliveira Rodrigues - Sobral/CE
Carlos Roberto da Rosa Rangel - Santa Maria/RS
Eduardo Francisco Jaques Neto - Torres/ RS
Eduardo Humberto Ferreira - Uberlândia/MG
Elaine Vincenzi Silveira - São Paulo/SP
Eleni Carvalho - Diadema/SP
Francisco Carlos Pereira - Araçatuba/SP
Gabriele Nunes Moraes - Uberaba/MG
Haydée Schlichting Hostin Lima - Santa Maria/RS
João Carlos de Oliveira - Teixeira de Freitas/BA
Jonatan Gracioli do Amarante - Cianorte/PR
José Guaicurus Mendes dos Santos - Guapimirim/RJ
Leila Maria Rodrigues Daibs Cabral - Mogi das Cruzes/SP
Luciana Slongo - Herval d’Oeste/SC
Luiz Carlos da Silva - Campo Mourão/PR
Luzia Stocco - Piracicaba/SP
Manoel Vinícius da Mata Souza - Ourinhos/SP
Márcia Cristina Lio Magalhães - Fortaleza/CE
Maria Anabel Siqueira Sampaio - São Paulo/SP
Mario Donizete Massari - Sertãozinho/SP
Mariza Baur - São Paulo/SP
Marlene Edir Severino - Itajaí/SC
Marlene Rozina Feltrin - Farroupilha/RS
Matheus Jacob Barreto - Cuiabá/MT
Nielson Torres Costa - Taguatinga/DF
Paulo da Mata-Machado Jr. - Brasília/ DF
Priscila Costa Lopes - Florianópolis/SC
Raimundo de Moraes - Recife/PE
Rosane Catarina de Castro - Belo Horizonte/MG
Roselaine Dias da Cruz - São Paulo/SP
Sergio Luiz Moreira - Rio de Janeiro/RJ
Tatiana Oliveira Druck - Porto Alegre/RS
Terezinha Bertazzi Costa - Campinas/SP
Varidiana Ribeiro Mercatelli - São Paulo/SP
Vilmar Ferreira Rangel - C. dos Goytacazes/RJ
Walter Luiz Jardim Rodrigues - Belém/PA
William Lima Glins - Rio de Janeiro/RJ
Zanny Adairalba Dantas de Góes - Boa Vista/RR

sábado, 4 de dezembro de 2010

Crônica

                                        Ouvidos privilegiados


Certo dia, conversando com um amigo, músico independente e tarimbado, confesso que fiquei deveras surpreso com o que me disse, enfaticamente:
- não me preocupam, e tampouco me influenciam, as críticas, sejam boas ou desfavoráveis, dos amigos músicos acerca dos meus trabalhos!
Antes devo dizer que a temática central de nossa conversa era a arte, especialmente música e literatura.
Imediatamente interpelei-o com um barril de argumentações: mas como, se os músicos possuem maior capacidade para analisar os seus trabalhos, se providos eles de conhecimentos teóricos e práticos estão em sintonia com a qualidade ou não de uma produção musical, se detentores, eles, de “ouvidos privilegiados” conseguem captar a extensão..., blá, blá, blá...
Nesse ínterim outros amigos chegaram, uns quatro ou cinco, se a memória não me engana, e a prosa tomou rumo diverso.
Mas em certo momento, quando a madrugada já se adiantava e tencionando dormir, solicitei-lhe que apresentasse o seu CD, na ocasião, recentemente lançado.
Após analises acerca do trabalho: quem compusera as melodias, músicos que haviam participado das gravações, custo da produção, etc., adquiri, a exemplo dos outros, um exemplar.
E quando já me levantava para partir ele segurou-me pelo braço:
- Entendeste agora!
- Os amigos músicos, geralmente, não compram os meus trabalhos.
E confesso que até hoje ando a meditar sobre isso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Edital

ACADEMIA SERTANEZINA DE LETRAS


EDITAL

A Academia Sertanezina de Letras comunica que se encontram vagas as cadeiras (Membros Efetivos) de números 15 a 33 e 35 a 40.
Os interessados em concorrer ao preenchimento das mesmas deverão endereçar requerimento à ASEL – Academia Sertanezina de Letras (Rua Aprígio de Araújo, 1102, Centro, CEP: 14160-550), acompanhado de:

1. “Curriculum Vitae”;
2. Relação de sua produção literária ou artística (se houver);
3. Três exemplares de cada obra (se for o caso).

As inscrições deverão ser feitas até o dia 31/01/2011e as postulações serão analisadas em Assembleia(s) Interna(s), conforme o Estatuto da Academia.

Sertãozinho, 20 de novembro de 2010

ASEL – Academia Sertanezina de Letras

sábado, 13 de novembro de 2010

Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional/2010

O meu livro "Espelhos do Tempo" concorre na categoria poesia nesse prêmio que é, hoje, um dos mais importantes no Brasil para livros publicados.
Outras categorias que o prêmio contempla: Ensaio Literário, literatura infantil e juvenil, projeto gráfico, romance, tradução, ensaio social e contos.
Espelhos do Tempo, lançado durante a Feira do Livro de Sertãozinho/SP, abriga poemas contemplados em alguns importantes concursos literários tais como o Prêmio Literário Cidade Poesia de Bragança Paulista/SP, Prêmio Literário Ziraldo da 10ª Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP, III Prêmio Literário Canon de Poesia 2010...


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mil Tons

Sempre nutri uma grande admiração pelos músicos da noite, artistas que , geralmente, não são devidamente reconhecidos. No meu livro "Beirais" incluí um poema Mil tons, dedicado ao músico sertanezino Décio Cirqueira, mas que se estende a toda essa classe que, com amor à arte, torna as nossas noites e, por conseguinte dias, mais agradáveis. Afinal, a música é a melodia da alma. Décio Cirqueira é pessoa requisitada e conhecidíssima nos meios musicais. O cara é fera, acompanhou vários artistas como, por exemplo, Antonio Carlos e Jocafi. É também professor de música na cidade de Sertãozinho. O meu reconhecimento a todos os músicos. E um abraço especial ao amigo Decinho.


   Décio Cirqueira - Decinho


Mil Tons


Entre pausas e mil tons


a melodia passeia


nascimento harmônico


de jobins e caetanos


belchiores e tantos...



No burburinho do instante


cristais refletindo o encanto


aveludadas vozes são poemas


de chicos para bethânias.



Ah! caro músico


quão belo é o teu desígnio


da embrutecida indiferença


talhar a essência da vida,


em letras que nos aproximam


do criador, atento ouvinte.